Nossa História

Fundado em 1908, é a mais antiga entidade estudantil de Minas Gerais, e, desde então, atuou energicamente em movimentos políticos regionais e nacionais, sempre defendendo os interesses estudantis, a democracia e a justiça.
Em 1937, com a supressão dos direitos e garantias individuais pela Carta Autoritária daquele ano, o CAAP trouxe importantes nomes como Afonso Arinos, Pedro Aleixo e Virgílio de Melo Franco para falarem em um ciclo de conferências sobre Democracia. Poucos anos depois, em parceria com outras faculdades, organizou uma mobilização em prol da solidariedade às nações democráticas que participavam da II Guerra Mundial.
O CAAP tornou-se órgão representativo da faculdade somente em 1953, com a reforma estatutária a que foi submetido. Até então era tido como organização lítero-cultural, mais voltada para a promoção de eventos. Inúmeros foram os movimentos e campanhas em que esteve envolvido, com destaque para "O Petróleo é Nosso", que rendeu a "Torre de Petróleo" na Praça Afonso Arinos em 1958, na comemoração do cinquentenário do Centro Acadêmico.
Ainda em 1958 foi criada pelo CAAP a Divisão de Assistência Judiciária, renomada instituição que hoje tanto orgulha nossa faculdade. Já em 1964, com o golpe ocorrido naquele ano, a Polícia do Exército invadiu a sede e roubou os arquivos do CAAP. Vários de seus membros foram perseguidos e mortos, dentre eles, José Carlos da Mata Machado, que dá nome ao pátio do terceiro andar, onde se encontra também uma placa em sua memória. Ex-presidente do CAAP, Mata Machado foi torturado pelo DOI-CODI e morto em 1973. Mata Machado lutou a favor da Democracia e da Liberdade contra o regime ditatorial.
A década de 70 foi marcada pela luta para restabelecimento do "Habeas Corpus" e pela Campanha pela Anistia a partir de 1979. Nesse mesmo ano, o I Encontro Nacional dos Estudantes de Direito (ENED) trouxe à discussão a volta da Democracia e o fortalecimento da luta pelo que chamavam de "anistia ampla, geral e irrestrita".
Na década de 80, o CAAP foi um dos coordenadores das "Diretas Já" em Minas Gerais. Em 1986, acompanhou a Assembleia Nacional Constituinte. Já em 1992, serviu de centro das reuniões e articulações do Movimento Estudantil do estado durante o impeachment do então presidente Collor. O centro acadêmico também coordenou o Fórum Permanente de Vigília pela Ética na Política em Minas Gerais. Além disso, participou da fundação da Federação Nacional dos Estudantes de Direito (FENED) em 1996, colaborando com a redação de seus estatutos e formação de suas primeiras executivas.
O CAAP também encampou lutas, como o respeito à diversidade sexual e de gênero e as lutas contra o racismo e o machismo. No ano de 2014, o CAAP participou da descomemoração dos 50 anos do Golpe Militar. Em 2015, o centro acadêmico teve sua atuação marcada pela defesa das minorias, seja através do combate ao machismo, racismo e LGBTfobia dentro e fora da faculdade, seja através do apoio a grupos que visam o empoderamento de setores sociais historicamente oprimidos, como o feminista Coletivo das Rosas (grupo auto-organizado por mulheres da faculdade), o grupo de estudos Luiza Mahin (que aborda a temática da negritude) e o Diverso (cuja atuação está ligada à temática LGBT).
Em 2016, participou ativamente da luta contra o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, nesse período, uma das AGEs convocadas para se posicionar perante a conjuntura foi arbitrariamente impedida de ocorrer por ordem judicial, em flagrante violação à Constituição Cidadã, por isso, a decisão foi posteriormente revertida judicialmente.
Recentemente, o CAAP vem se movimentando contra as arbitrariedades exercidas pelos últimos governos que tanto tem retirado autonomia e verbas do ensino público federal. Vale destacar a articulação junto à diretoria da UNE para o protocolo de uma peça como amicus curiae na ADPF 595, protocolada pelo Conselho Federal da OAB em face dos bloqueios no orçamento das instituições federais de ensino promovidos pelo MEC em 2019.
Já nesse ano, o CAAP completa 112 anos de existência (e resistência). Os problemas são outros, sempre se renovando através do tempo, mas a atitude do CAAP, ativo nas lutas sociais e políticas, defendendo sempre os interesses dos estudantes representados pelo centro acadêmico, permanecerá a mesma.