DÉCADA DE 2000

O CAAP foi espaço em que me encontrei na Faculdade de Direito. Um lugar onde fiz amigos para toda a vida. Onde efetivamente aprendi sobre política, gestão e Direito muito mais do que em qualquer disciplina. Onde aprendi a dialogar, a ouvir e a conceder, na mesma medida em que aprendi a exercer minha fala e a lutar pelos direitos da comunidade de que fazia parte. Estive no CAAP, bastante presente, por duas gestões, 1999 e 2000. À época, nossa relação com professores e diretoria, apesar de algumas divergências e até disputas, era bastante civilizada. Tínhamos apoio de grande parte da comunidade acadêmica em nossas ações. Havia oposição, claro, mas a existência nos mantinha produtivos, como em toda disputa democrática.

Eram os tempos do governo FHC e a Universidade enfrentava um desmonte financeiro que repercutia imensamente em sua capacidade de ensino, pesquisa e extensão. Eram quase inexistentes os recursos financeiros para eventos e bolsas. As monitorias, pesquisas e atuação na extensão eram quase que exclusivamente voluntárias. Assim, o CAAP tinha um papel central na realização de eventos de qualidade, seminários, debates políticos, semanas culturais, etc. No CAAP eu realmente conheci a realidade da Faculdade e da UFMG. Duas experiências me marcaram muito no CAAP: a organização do EMED no Campus UFMG, um mega evento que demandou capacidade de organização e gerenciamento ímpares, e a representação discente nos Departamentos, Colegiado e, principalmente, na Congregação da Faculdade de Direito, em que tínhamos que estar muito preparados e articulados para sermos capazes de falar e ser ouvidos. O CAAP marcou profundamente a minha trajetória no Direito, como aluna e como professora. Não seria, sem sombra de dúvida, a pessoa e a profissional que sou hoje sem a experiência do Centro Acadêmico Afonso Pena.

Para os alunos, acho que a experiência no Centro Acadêmico é fundamental para o desenvolvimento de habilidades dialogais, negociais, organizacionais, gestoras, jurídicas e, principalmente, políticas. É uma experiência de vida insubstituível. Nenhuma outra atividade universitária será capaz de desenvolver essas habilidades, afetos e competências